Castrar ou não castrar: eis a questão!

IMPORTANTE: apesar de ter se mostrado uma excelente fonte de referência sobre o tema, tendo considerado um bom número de cães e aplicado testes estatísticos, vale lembrar que este é apenas UM único artigo científico sobre o assunto, e que aborda apenas o aspecto da saúde física relacionada a algumas doenças nos cães. É importante lembrar que no Brasil temos uma infinidade de cães em situação de rua ou lotando abrigos, e a castração é essencial para evitarmos piorar esse quadro. Se você está em dúvida quanto a realizar este procedimento no seu cão, busque outras fontes de informação além dessa, que também abordem questões comportamentais, por exemplo. Converse com profissionais que se mantem atualizados sobre as pesquisas. Se for preciso, espere mais um tempo até você estar certo de que o procedimento é o melhor para o seu peludo. Mas, nesse meio tempo, é SUA RESPONSABILIDADE evitar cruzamentos indesejados. Deixe a criação de cães para os profissionais sérios que realmente entendem do assunto.

No dia 07 de Julho de 2020 foi publicado no “Frontiers in Veterinary Science” o seguinte artigo cientifico: 

Auxiliando na decisão sobre a castração para 35 raças de cães, associando idade do procedimento a problemas articulares, diferentes tipos de câncer e incontinência urinária. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Eu traduzi algumas das partes que considerei importantes da pesquisa:

Castração de machos e fêmeas antes de um ano de vida se tornou rotina nos EUA e em grande parte da Europa. Porém estudos recentes revelam que para algumas raças esse procedimento está associado com aumento do risco de problemas nas articulações e alguns tipos de câncer, dificultando a decisão dos proprietários em castrar ou não seus cães.

O problema de articulação inclui displasia de quadril e de cotovelo e ruptura do ligamento cruzado craniano. O câncer inclui linfoma, tumor nos mastócitos, hemangiosarcoma e osteossarcoma.

Estudos prévios a esta pesquisa mostraram que: 1. displasia de quadril e ruptura do ligamento cruzado craniano eram significativamente mais ocorrentes em machos e fêmeas castrados do que inteiros. 2. A castração é apresentada como fator de risco para hérnia de disco em Dachshunds. 3. Alguns tipos de câncer sao mais frequentes em caes castrados do que inteiros. Linfoma é mais frequente em fêmeas castradas, assim como ocorrência de tumor nos mastócitos e hemangiosarcoma. 4. Um estudo feito com mais de QUARENTA MIL caes utilizando o banco de dados de Medicina Veterinária apontou que machos e fêmeas castrados têm mais predisposição a morrer de câncer do que caes inteiros. 5. Um estudo recente apontou que a ausência de estrogênio nas fêmeas castradas está associado com envelhecimento cerebral acelerado.

Em estudos prévios com Goldens, Labradores e Pastores Alemão, a castração antes de um ano de idade foi associada com maior risco de um ou mais problemas articulares, de 2 a 4 vezes mais do que em cães inteiros. Essa taxa elevada se deu principalmente entre cães castrados aos seis meses de vida. Em fêmeas de Golden Retriever castradas em qualquer idade, houve um aumento em um ou mais tipos de câncer, de 2 a 4 vezes mais do que nas fêmeas inteiras. 

NOTA: Cada um desses estudos citados está linkado ao final da pesquisa (no artigo original).

A presente pesquisa investigou, além das três raças já citadas, outras 29 raças e três variações da raça poodle. Houve variações significativas para cada raça. Nas pequenas pareceu não haver aumento de risco de problemas articulares associados a castração, e apenas em duas raças Boston Terrier e Shih Tzu houve aumento significativo em diferentes tipos de câncer.

Cães de raças pequenas – Boston Terrier, Cavalier King Charles Spaniel, Chihuahua, Corgi, Dachshund, Maltês, Spitz Alemao, Poodle-Toy, Pug, Shih Tzu, Yorkshire Terrier – aparentemente não têm risco de aumento de problemas articulares relacionados a castração, quando comparados com cães de grande porte. 

Para auxiliar proprietários e veterinários a decidir sobre a idade da castração para evitar esses problemas articulares e de câncer, foi elaborada uma tabela com 35 raças, dividida entre machos e fêmeas e as respectivas idades nas quais a castração apresentaria menos riscos para aquela raça específica.

Tabela de orientação para castração baseada em descobertas a respeito do aumento do risco de problemas articulares e diferentes tipos de câncer. A coluna “indiferente” representa as raças onde não houve aumento do risco dessas doenças, independente da idade da castração. 

Segue aqui um resumo da tabela:

Machos:

Não castrar: Doberman

Castrar após os seis meses de idade: Cocker Spaniel, Corgi, Labrador.

Após os 11 meses de idade: Beagle, Border Collie, Boston Terrier, Golden Retriever, Poodle miniatura, Rotweiller

Após 23 meses de idade: Bernese, Boxer, Pastor alemão, Irish Wolfhound e Poodle Standard 

Fêmeas:

Não castrar: Golden Retriever

Castrar após os seis meses de idade: Pastor australiano, Rottweiler e Sao Bernardo.

Após os 11 meses de idade: Border Collie, Collie, Springer Spaniel Inglês e Labrador.

Após os 23 meses de idade: Boxer, Cocker Spaniel, Doberman, Pastor alemão, Shih Tzu e Pastor de Shetland

Nas outras raças analisadas, machos ou fêmeas, a idade da castração era indiferente, não havendo interferência da mesma associada ao aumento das doenças citadas.

A tabela com as trinta e cinco raças estudadas pode ser encontrada abaixo. 

Se você se interessou pela pesquisa e gostaria de ler o artigo original, vai lá no Formulário e manda um email pra gente, que eu te respondo enviando o artigo em PDF!

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